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Apesar do nome já poder indicar o que é o rastreamento de dados de um celular, é sempre importante ter em mente o que está em jogo quando nossos telefones (e demais dispositivos) estão sendo rastreados. O uso desse tipo de recurso está bastante identificado com o marketing digital, para as plataformas poderem direcionar campanhas de publicidade e anúncios de produtos e serviços. Não por acaso, a publicidade é uma das mais importantes fontes de lucro de mídias sociais como o Facebook, de sites como o Google e de empresas como a Apple.

Entretanto, o rastreamento não se limita a uma ferramenta que possibilita direcionamento mais certeiro de anúncios e propagandas a públicos-alvos. Os dados rastreados do celular de uma pessoa podem ser do interesse de um chefe ou encarregado na empresa onde ela trabalha, de um parceiro ciumento ou um stalker e até mesmo de governos ou grupos políticos que querem espionar os cidadãos.

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O que é o rastreamento de dados

Rastreamento de dados de um celular é a coleta de informações diversas de identificação do dispositivo e da pessoa ou pessoas que usam o dispositivo. Dentre essas informações, há o endereço de IP, configurações salvas, posição geográfica (GPS), conteúdos de mensagens, históricos de navegação na web e até mesmo tempo que a pessoa passou em um determinado site ou aplicativo. Essas informações são analisadas, processadas, organizadas e direcionadas para usos diversos.

Planeta Terra e uma ilustração de dados digitais

Imagem: Pete Linforth/Pixabay/CC

Todos os procedimentos, desde o rastreamento até o uso final dos dados são realizados por meio de ferramentas e arquitetura de Big Data. A coleta dessas informações só ocorre, muitas vezes, após o usuário do aparelho aceitar a solicitação que as próprias plataformas (como apps e sites) fazem já no momento de instalação ou acesso.

Nos casos dos apps, por exemplo, há solicitação de permissão de acesso a mídias, câmera, conversas, localização, etc. Muitas vezes, os apps realmente precisam acessar alguns conteúdos do aparelho celular para poderem realizar suas tarefas. Por exemplo, quando um app que faz montagem e estilização de fotos solicita permissão para acessar arquivos de fotos. Há também a necessidade de um app de transporte acessar a posição geográfica do usuário para poder encaminhar um motorista até ele. Para outras finalidades, como o “essencial” direcionamento de anúncios, apps já começam a informar que querem rastrear o aparelho justamente para otimizar o tipo de publicidade que vão colocar na timeline do usuário, o que não necessariamente é fundamental para a função pela qual o app foi criado.

Aceita um biscoito?

Nos casos de sites, são oferecidos “biscoitos” na entrada, ou melhor, cookies. Cookies são arquivos minúsculos que acabam instalados na memória dos dispositivos, como o celular, e executam a função de armazenamento de informações como as que citamos acima. O armazenamento é feito, em geral, na nuvem, em espaços identificados como sendo as contas de cada um dos usuários em cada plataforma.

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homem comendo um cookie

Imagem: Ryan McGuire/Pixabay/CC

As informações coletadas pelos cookies ajudam a identificar cada pessoa e permitem, por exemplo, que o Facebook e outros sites e plataformas não solicitem login e senha toda vez que um usuário chega. Informações de cadastros que são preenchidas automaticamente também são obra dos cookies. São eles que também permitem que itens e produtos pesquisados em uma loja online apareçam em oferta de repente, enquanto a pessoa navega em uma rede social ou em um outro site qualquer.

Domínio dos dados pessoais

Logo, percebemos que as empresas que fazem rastreamento de dados acabam tendo em mãos informações sobre os lugares por onde a pessoa passou, com quem ela conversa, que tipo de produtos ela consome, quais suas afinidades políticas, quais os seus gostos musicais, etc. São dados que identificam costumes, tendências e até mesmo a personalidade de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos. Em um cenário onde existe uma empresa como o Google e seu ecossistema, que possui, para termos uma ideia, um buscador tão potente, um sistema operacional como o Android e uma plataforma de mapeamento global como o Maps, é inimaginável o volume de dados pessoais circulando e a infinidade de possibilidades de uso desses dados.

Se essa questão se limitasse a, por exemplo, não oferecer na timeline um tipo de produto para um usuário da rede social que jamais compraria aquele tipo de produto, ok. Porém, temos visto que as coisas podem não ser bem assim. Basta lembrar do que foi o escândalo da Cambridge Analytica e do Facebook em 2018, um dos mais significativos casos de uso de dados pessoais em massa para manipulação política e social.

Os dados pessoais são tão importantes para as empresas de tecnologia e mídias sociais, que um caso recente que podemos citar é do TikTok, aparentemente, buscando uma forma de burlar a nova política anti-rastreamento da Apple. Aliás, a própria alteração da Maçã nesse sentido, anunciada como uma forma de proteger a privacidade de seus usuários, é vista por concorrentes como uma espécie de monopolização do domínio de dados pessoais no sistema operacional da empresa.

Vazamentos de dados rastreados

 

imagem de um ovo sendo quebrado para ilustrar vazamento de dados

Imagem: ds_30/Pixabay/CC

Outro problema possível por causa do rastreamento é que os dados privados rastreados podem, de repente, parar nas mãos de criminosos cibernéticos. É o que acontece quando há vazamentos como o ocorrido em 2020, vitimando mais de 500 milhões de usuários do Facebook. Podemos citar também o vazamento dos dados de 500 milhões de usuários do LinkedIn, anunciado por hackers recentemente.

A questão de vazamentos não se limita a apps, redes sociais ou sites de empresas que coletam informações dos aparelhos. Apesar de ter uma realidade um pouco diferente do rastreamento de dados que estamos falando, nem mesmo sites governamentais, onde as pessoas preenchem cadastros diversos para necessidades das mais importantes, estão livres desse tipo de ocorrência. Como foi com o Serasa  e a exposição de dados de quase toda a população do Brasil. Ou seja, a partir do momento em que a pessoa tem suas informações pessoais na rede, desde documentos como CPF a check-ins e dados de geolocalização, ela já se torna uma potencial vítima de ataques virtuais ou falhas de segurança.

Imagem: Nastco/iStock