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Quando se trata de tecnologia 5G, o Brasil não é exatamente a ponta de lança do assunto. Enquanto outros países já discutem a possibilidade da implementação do 6G (que não está nem tão longe assim), a Anatel adia outra vez o leilão do 5G por aqui. A chegada agora está prevista para 2022. O cenário para a implementação da nova rede permanece nebuloso e, ao mesmo tempo, amplamente antecipado. Afinal, o que muda com o 5G por aqui?

Existe mais em jogo com o 5G do que sinal de telefonia. O novo protocolo de telecomunicações traz a possibilidade de uma série de tecnologias que integrarão ainda mais o cotidiano virtual e o real. E ao mesmo tempo, o cenário faz do Brasil um campo de batalha para mais um episódio da guerra econômica entre Estados Unidos e China.

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O que é o protocolo 5G?

Conforme explicamos por aqui anteriormente, o 5G é a quinta versão de um padrão de radiofrequências voltado especialmente para internet móvel. As novas faixas padrão podem ir de 700 MHz a 6 GHz, e alcança velocidades de 50 Mbp/s até 1 Gbp/s (ou muito mais, segundo a Nokia). Assim como o 4G LTE, a nova rede suporta tanto distribuição de rede telefônica quanto acesso à web.

Torre de 5G da Vodafone

Imagem: Fabian Horst (Wikimedia Commons)

Para entender, o que muda com a passagem do 4G para 5G, é necessário olhar para o número da mesma maneira que numa escala Richter. Dependendo do padrão, as frequências podem atingir um raio de alcance até dez vezes mais do que o seu antecessor. Além disso, as novas faixas podem suportar mais dispositivos conectados e apresentam baixíssima latência, e podem estar na ponta de novos recursos.

Muito mais do que só internet

Aliás, é no alcance e na baixíssima latência que estão as grandes viradas de chave do 5G: o padrão mudará não só a capacidade da rede, mas também o que podemos fazer com ela. De acordo com o professor da Escola Politécnica da USP, Sérgio Kofuji, o padrão abrirá as portas para uma nova relação com a internet das coisas, e até mudar a forma em que cidades são geridas.

 “O 5G não se restringe a comunicação do dispositivo móvel pessoa para pessoa”, explica o professor em entrevista ao Jornal da USP. “Ele vai poder cobrir uma quantidade imensa de sensores espalhados dentro de um ambiente urbano.”

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Kofuji explica ainda que o 5G possibilita um passo na direção das cidades inteligentes, que geram dados e estatísticas acerca de tudo o que é monitorável. A captação iria desde sensores de tráfego a nível de estresse em estruturas. Ele ainda alerta que o processo geraria uma quantidade imensa de dados, que precisariam ser protegidos por lei nacional. 

Além disso, a baixa latência do padrão, a alta velocidade de rede e a grande emissão de dados teria grandes efeitos na indústria e no agronegócio. No Brasil, a ampla gama de faixas 5G também levará à criação de uma rede móvel exclusiva do governo.

Entrave político
Fachada de filial da Huawei

Imagem: Raysonho (Wikimedia Commons)

Por sinal, é justamente nos participantes que existe um conflito político entre a China e os Estados Unidos. A chinesa Huawei, uma das maiores detentoras de tecnologia 5G do mundo, corria o risco de ficar de fora do leilão brasileiro após acusações de espionagem. Reino Unido, Canadá e Suécia também baniram a empresa de suas redes.

A China, que é parceira econômica de longa data daqui, reagiu ao movimento, alertando que a medida poderia fazer com que nosso país ficasse ainda mais tempo sem acesso à rede. No final, o Brasil recuou do banimento da Huawei ao leilão do 5G após a saída de Donald Trump da presidência dos Estados Unidos. 

Por que ainda não temos 5G?

Não se pode apontar apenas um fator como o atraso do 5G. Uma das razões, por exemplo, está na elaboração e alteração do projeto para o Brasil, que é uma das maiores distribuições de rede do mundo todo. O leilão precisaria impedir que as empresas adquirissem espectros mas não os utilizassem, algo que acontece nos Estados Unidos, por exemplo.

De qualquer modo, o cenário é conturbado. Para se ter ideia, a Anatel apresentou no começo de fevereiro o plano de leilão das faixas de frequência da redes nacionais, incluindo o 5G. O projeto foi adiado após o presidente da Anatel, Leonardo Euler, solicitar alterações em alguns dos termos, adiando o anúncio até o final do mesmo mês.

Quando anunciado, o 5G estava previsto para chegar em todas as capitais do país até 30 de julho de 2022. No entanto, os cenários eram bem menos animadores para as outras cidades do Brasil. O edital previa a chegada da novas radiofrequências em cidades de mais de 500 mil habitantes até em 2025, mas a conclusão em todo o país só aconteceria em 2029. Sabendo o que muda com o 5G, você já tira por conta se precisa mesmo ou não correr atrás da tecnologia.

Imagem: Saurabhkumar Singh/Pixabay/CC