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Curioso sobre a entrevista coletiva da Anatel falando sobre 5G no Brasil? Como previsto, a Anatel anunciou na coletiva desta sexta-feira (26/02), que o leilão da rede 5G vai ocorrer no segundo semestre desse ano, e a cobertura, nas capitais, deve estar completa até 30 de julho de 2022. Nem parece tão distante, né? O problema é que no interior, a situação é bem mais complicada do que isso.

O edital passará por validação do Tribunal de Contas da União (TCU) para validação dos valores da transação, estimados em, aproximadamente, R$ 53 bilhões. A operadora que arrematar a frequência de 3,5 MHz, terá alguns desafios pela frente, como levar fibra óptica ao Norte e Nordeste. Além disso, será preciso melhorar a cobertura nas estradas e substituir as antenas parabólicas de TV por outras, menores, já que essas poderiam sofrer interferência pelo 5G.

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“No final da década de 1990, o desafio era conectar os domicílios. Depois foi conectar pessoas e agora, no terceiro ciclo, é conectar as coisas e vai trazer maior produtividade. O 5G vai pesar no PIB”, afirmou Leonardo de Morais, presidente da Anatel, que acredita que o 5G vai remodelar a sociedade e os meios produtivos, indo além do aumento da velocidade, como ocorreu com a chegada do 4G.

Como citei no primeiro parágrafo, aqui vem a bomba. Segundo o edital, cidades com mais de 500 mil habitantes devem receber a rede até 2025, mas a conclusão em todo o país está prevista para encerrar até 30 de julho de 2029. Isso mesmo, um prazo de mais de oito anos.

Muito demorado?

A gente aqui no VC acha esse prazo absurdo, mas tem quem concorde. É o caso o advogado especialista em direito empresarial e no 5G, Henry Gonçalves Lummertz, sócio do escritório Souto Correa Advogados de Porto Alegre (RS). Em suas palavras: “quando você pega as torres, ela faz uma espécie de rede na qual cada quadradinho é uma célula. Esse tamanho de célula varia de tecnologia para tecnologia e, no 5G elas são menores”.

A abrangência da rede vai ser muito maior, o que explicaria a demora em chegar até as áreas que hoje não são cobertas pelo 4G. “A lógica comercial é diferente. A maioria desses locais que não têm cobertura não tem demanda pelo serviço de voz, mas quando essa rede se transforma em dados, isso é muito maior”, diz o advogado.

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Quem participa

Apenas as operadoras de telefonia celular do Brasil podem dar lances no leilão do 5G e, posteriormente, adquirem os equipamentos necessários das empresas que julgarem melhores. Uma comitiva do governo visitou alguns desses fabricantes no ano passado: Samsung (Coreia do Sul), Huwaei (China), Nec (Japão), Nokia (Finlândia) e Ericsson (Suécia).

Durante a coletiva, o Ministro das Comunicações Fábio Faria, foi questionado sobre possível exclusão da China na participação do 5G nacional, mas sua resposta foi evasiva. Ele não quis se comprometer, e disse estar “estipulando critérios para a rede segura” e “o governo federal não negocia com empresa nenhuma”, passando a bola para as operadoras.

O que significa o 5G no Brasil?

A chegada da rede 5G ao país vai propiciar maior velocidade de conexão e de transmissão de dados. A indústria e a internet das coisas serão as principais beneficiadas com essa tecnologia. No entanto, não é preciso correr para trocar o aparelho celular por conta disso, basta lembrar que o 5G só chega no ano que vem, isso se você não contar com soluções paliativas, como o 5G DSS.

As redes vêm se desenvolvendo e se sobrepondo. Logo, as redes anteriores (2G, 3G e 4G) não serão desligadas. No entanto, para tirar o melhor proveito da rede 5G, será preciso adotar aparelhos que comportem essa tecnologia.