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Uma pesquisa realizada pelo Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH em inglês), organização sem fins lucrativos que atua no Reino Unido e nos EUA, apontou que as cinco maiores redes sociais do mundo têm grandes falhas no combate ao racismo. Segundo dados dessa pesquisa, a cada seis posts racistas denunciados, apenas um é removido, o que dá uma porcentagem de 84% de impunidade a conteúdos de ódio.

Para a realização do estudo, foram analisadas publicações de conteúdo antissemita, neonazista e de supremacia branca no Facebook, Instagram, Twitter, TikTok e Youtube. As publicações, que chegavam a contar com 7,3 milhões de reações, foram acompanhadas por um período de seis semanas. Ao todo, foram denunciados 714 posts racistas e antissemitas que nitidamente infringiam as políticas de segurança das redes sociais, mas poucos posts foram removidos ou tiveram os autores banidos após as denúncias.

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Dentre os conteúdos avaliados pelo CCDH, estavam postagens associando judeus à pandemia, negando a existência do holocausto e até memes com imagens de supremacistas brancos satirizando a realidade de Auschwitz. Também foram acompanhadas algumas hashtags promovendo teorias conspiratórias e de cunho racista.

Desempenho das redes

A plataforma que se saiu melhor nas ações contra discurso de ódio, mesmo que com números ainda baixos, foi o YouTube. A ferramenta de vídeos do Google alcançou a marca de 20% de efetividade na remoção de conteúdos racistas. Mas, os pesquisadores ainda encontraram alguns vídeos racistas que contam com 2,3 milhões de visualizações e permanecem na plataforma. Levando em conta o histórico da empresa, esse resultado já era de se esperar.

O TikTok e o Instagram dividem o segundo lugar em desempenho, alcançando uma efetividade de 18% no combate às publicações criminosas. O app chinês se restringiu a remover os comentários contendo as injúrias, já que somente 5% das contas denunciadas foram realmente banidas. Por outro lado, o Instagram não conseguiu barrar algumas hashtags racistas nem alguns Reels com o mesmo conteúdo.

Por fim, os piores em desempenho foram o Twitter (11%) e o Facebook (10%). A rede social do passarinho azul chegou a remover contas e tweets criminosos, mas não barrou hashtags como #holohoax (holofarsa) e #JewWorldOrder que eram usadas para disseminar teorias negacionistas e conspiratórias. Já a rede de Zuckerberg também não derrubou grupos que circulam esse tipo de conteúdo, mesmo após uma mudança em sua política de segurança (criticada por especialistas).

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Lugar seguro para crimes

Algumas pessoas podem até tentar alegar que se trata de um problema de algoritmo, como foi o caso das imagens cortadas no Twitter, mas não é bem assim. Algumas publicações foram denunciadas pelos pesquisadores diretamente para moderadores humanos que trabalham nas companhias. Mesmo assim, os posts racistas não foram removidos.

Esses índices baixos no combate aos discursos de ódio acaba normalizando a prática desse tipo de crime nas redes sociais, que acabam se tornando lugares seguros para racistas e outros grupos extremistas. Não à toa, as redes sociais já foram associadas ao crescimento do fascismo nos últimas anos. Imran Ahmed, CEO do CCDH, comentou ao jornal inglês The Guardian que “as redes sociais estão se tornando cada vez mais perigosas para negros, LGBTI+, mulheres e judeus”.

Via The Guardian

Imagem: Lightspring/ShutterStock