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Em um acordo histórico na França, o Google concordou em fazer mudanças em sua política de anúncios, cedendo à pressão antitruste no país europeu. O acordo com o órgão fiscalizador francês poderá reequilibrar o poder sobre a publicidade em favor das páginas de conteúdo, como meios de imprensa, que dominavam os negócios antes da rápida ascensão do Google e do Facebook nesse meio.

Além de se comprometer a realizar as mudanças em suas políticas de anúncios, o Google terá que pagar uma multa de 202 milhões de Euros (em nossa moeda, seria algo em torno de R$ 1,3 bilhão). É a primeira vez que a empresa americana concorda em fazer alterações em seu poderoso negócio de publicidade, responsável pela maior parte de suas receitas. A decisão na França pode ser significativa para uma nova postura do Google com relação às leis antitruste em outros lugares do mundo, como na Alemanha, onde a empresa também passa por investigações quanto às suas práticas.

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Privilégios de Google para Google

Investigações da Autoridade de Concorrência Francesa (FCA) apontaram que a plataforma Google de gerenciamento de anúncios para grandes publicadores (o Google Ad Manager) favoreceu o sistema de anúncios online da própria empresa (o Google Adx). O Google Adx é onde os editores vendem espaço aos anunciantes em tempo real.

Segundo o que foi constatado, o Google Ad Manager forneceu ao Google Adx dados estratégicos, como os preços dos lances vencedores nos leilões, e acesso privilegiado às solicitações feitas pelos anunciantes. Ao mesmo tempo, o Google Adx forneceu ao Google Ad Manager recursos de interoperabilidade superiores aos das chamadas plataformas sell-side (SSP) rivais. Essas ferramentas do Google se tornaram quase essenciais para grandes empresas gerenciarem os espaços de publicidade disponíveis para compra, inserirem anúncios e receberem receitas.

Sob os termos do acordo, o Google se comprometeu a melhorar a interoperabilidade dos serviços do Google Ad Manager com servidores de anúncios de terceiros e plataformas de vendas de espaço publicitário. A empresa afirmou que fará testes e desenvolverá mudanças nesse sentido nos próximos meses antes de implementá-las de forma mais ampla, incluindo globalmente. Algumas mudanças serão implementadas até o primeiro trimestre de 2022. O Google também informou que não irá recorrer das decisões da autoridade no tribunal.

A FCA disse que a decisão abre caminho para que editores que se sentem em desvantagem busquem indenização do Google. A autoridade francesa lançou sua investigação em 2019, após reclamações da News Corp. (NWSA.O), do grupo de publicação de notícias francês Le Figaro e do grupo de imprensa belga Rossel.

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Via Business Insider e Reuters

Imagem: succo/Pixabay/CC