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Em um experimento da USP (Universidade de São Paulo), pessoas com doenças crônicas tiveram 50% de redução nos sintomas de depressão graças ao auxílio do app Conemo (sigla para Controle Emocional). Os resultados coletados são promissores para o atendimento à saúde, considerando inclusive um cenário de pandemia pela Covid-19 e de isolamento social.

A ferramenta foi desenvolvida por pesquisadores de quatro países: da USP (Brasil), do King’s College (Inglaterra), da Universidad Cayetano Heredia (Peru) e da Northwestern University (Estados Unidos). A pesquisa recebeu financiamento da National Institute of Mental Health (NIMH), maior organização de pesquisas do mundo especializada em saúde mental, vinculada ao governo americano.

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Como foi o experimento
tela de um celular com o nome do app Conemo

Reprodução: Jornal da USP

Durante seis semanas, pessoas com doenças crônicas que apresentavam sintomas de depressão leve receberam celulares com o app Conemo da USP instalado, para uso restrito do experimento. As informações coletadas foram armazenadas em uma nuvem de dados, permitindo aos profissionais integrantes do projeto acompanhar o progresso dos pacientes.

A ferramenta buscou reduzir os sintomas da depressão por meio de uma série de sessões de ativação de comportamento que induz a pessoa a realizar atividades diárias prazerosas ou significativas para si. Além de mostrar explicações sobre os sintomas da doença e sobre as formas que a depressão as atinge, o app da USP convidava as pessoas para escolherem uma dentre atividades como ouvir música, fazer uma caminhada ou ligar para um parente.

Uma das cidades que integraram a pesquisa foi São Paulo, onde houve a participação de 20 unidades de saúde da família, com 880 pacientes ao todo. Deste total, metade fez parte do grupo de controle, recebendo apenas o tratamento de rotina (acompanhamento clínico e uso de medicamentos), sem o auxílio da ferramenta digital. A outra metade usou o app durante o período, com três sessões de 10 minutos por semana, e recebeu tratamento clínico quando necessário. Se, por exemplo, o paciente deixasse de interagir com o aplicativo ou perdesse sessões, um enfermeiro entrava em contato para auxiliá-lo a dar continuidade às atividades. A outra cidade que integrou a pesquisa foi Lima, no Peru, em uma dimensão menor.

informações sobre depressão que o app da USP traz

Reprodução/Jornal da USP

Resultados promissores

Ao final de três meses, os pesquisadores observaram uma maior proporção de pessoas com redução importante de sintomas da depressão no grupo que usou o app, em comparação com o grupo de controle. Em São Paulo, houve uma diferença de 12% a mais de pacientes do grupo de teste apresentando uma redução de 50% dos sintomas da depressão. “O que a gente esperava como resultado positivo é que o score de depressão do paciente, três meses depois, tivesse, pelo menos, metade do que estava no início”, explica o professor de Medicina Preventiva da USP, Paulo Rossi Menezes, responsável pelo projeto. Tanto em São Paulo quanto em Lima, o grupo que recebeu o aplicativo apresentou mais pacientes com esse nível de melhora.

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A diferença dos resultados, comparando o grupo que usou o app e o que não usou, ficou bem menor aos seis meses de acompanhamento. Menezes explica que a razão se deu ao fato da continuidade da melhora dos pacientes do grupo de controle. Ou seja, o app, no mínimo, acelerou a recuperação das pessoas que o usaram. De acordo com o professor, o resultado permitiu evidenciar que o app “ajuda pessoas nessa condição e pode ser utilizado sem a necessidade de um acompanhamento clínico especializado”. Além disso, a ferramenta digital que pode ser vista como uma abordagem que pode ser bem importante em um momento de isolamento social.

O app Conemo amplia o acesso a um tratamento de baixa intensidade, mas não deve ser visto como uma solução única para todos os casos. Os quadros de depressão com sintomas mais severos devem continuar sob tratamento com acompanhamento especializado e uso de medicamentos. A previsão dos responsáveis pelo app Conemo é de que uma nova versão seja disponibilizada nas lojas de aplicativos de celulares em três meses. Ele deverá estar disponível tanto para uso da população em geral, quanto para uso de profissionais de saúde. Sobre o projeto, é possível encontrar um artigo sobre ele na revista científica JAMA.

Via Jornal da USP

Imagem: Gerd Altmann/Pixabay/CC