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A pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos durante a administração Trump, a Apple vazou secretamente dados de usuários, dentre eles, adversários políticos do ex-presidente. A solicitação dos dados pessoais ocorreu em 2018 e permaneceu em segredo até maio deste ano, quando foi expirado o prazo de segredo.

Como conta o The New York Times, a Apple vazou dados dos congressistas democratas Adam Schiff e Eric Swalwell (ambos representantes da Califórnia), de seus assessores e familiares e também de repórteres. De acordo com as informações, o objetivo era espionar o envolvimento dos adversários em vazamento de informações à imprensa. Na época, Schiff era o líder democrata do Comitê de Inteligência da Câmara, e um dos principais temas discutidos naquele momento era o envolvimento do ex-presidente republicano com interferências do governo russo nas campanhas eleitorais de 2016. Neste cenário, Trump enfrentava o primeiro pedido de impeachment de seu mandato.

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Apple se explica e garante não ter vazado e-mails ou fotos

“A intimação, emitida por um grande júri federal, incluía uma ordem de sigilo assinada por um juiz federal, e não forneceu informações sobre a natureza da investigação, sendo virtualmente impossível para a Apple entender a intenção das informações desejadas sem vasculhar as contas dos usuários”, disse Fred Sainz, um porta-voz da empresa. “Consistente com a solicitação, a Apple limitou as informações fornecidas às informações do assinante da conta e não forneceu nenhum conteúdo, como e-mails ou fotos”.

Dessa forma, o pedido em ordem secreta dos dados dos políticos adversários e das demais pessoas foi aprovado como a grande maioria dos 250 pedidos em média que a empresa recebia do governo a cada semana. Neste caso, em 6 de fevereiro de 2018, a Apple recebeu uma intimação do governo Trump para vazar nomes e registros telefônicos conectados a 109 endereços de e-mail e números de telefone.

Pedidos de fornecimento de dados pessoais mais que dobraram nos últimos anos

As revelações de agora ressaltam a enxurrada de pedidos de aplicação da lei que obriga as empresas de tecnologia a fornecerem informações pessoais de seus usuários. O número dessas solicitações disparou nos últimos anos para milhares por semana, colocando a Apple e outras big techs, como Facebook, Google e Microsoft, em uma posição desconfortável entre a aplicação da lei, os tribunais e os clientes, cuja privacidade eles sempre se comprometem a proteger.

As empresas atendem regularmente às solicitações por serem legalmente obrigadas a atender. As intimações são geralmente vagas, o que impede que as empresas saibam da natureza ou do assunto de uma investigação. As big techs podem contestar algumas das intimações se forem muito amplas ou se estiverem relacionadas a um cliente corporativo. A Apple afirma que regularmente luta contra solicitações governamentais de dados do consumidor e informa os usuários afetados assim que é permitido.

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Só como referência do volume que está sendo tratado aqui, nos primeiros seis meses de 2020, a Apple contestou 238 demandas do governo por dados de contas de seus clientes, ou seja, algo em torno de 4% de tais solicitações. O Facebook disse que recebeu quase 123 mil solicitações do governo dos EUA para o fornecimento de dados no ano passado, contra 37 mil em 2015.

Google e Microsoft

O Google também recebeu solicitações para fornecimento de dados pessoais de usuários, tendo entre eles jornalistas do The New York Times. A empresa informou que foi mais relutante na entrega das informações, já que o jornal é considerado parceiro corporativo. Já a Microsoft também foi envolvida na caça a vazamentos feita por Trump, e alega só ter ficado sabendo que forneceu informações ao governo sobre um membro da equipe do Congresso depois que uma ordem de proibição expirou.

Na sexta-feira (11/06), o inspetor-geral independente do Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre a decisão dos promotores federais de confiscar secretamente os dados dos democratas da Câmara e de repórteres. A democrata Nancy Pelosi, presidenta da Câmara americana, também pediu uma investigação e classificou de “terrível” a revelação do The New York Times de que a Apple tenha vazado dados. Pelosi diz que o ocorrido se trata de uma forma de minar o Estado de Direito.

Via The Verge e Apple Insider

Imagem: Rogier Hoekstra/Pixabay/CC