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A National Network to End Domestic Violence (NNEDV), uma organização sem fins lucrativos proeminente dos EUA, está alertando que o novo sistema de rastreamento AirTags da Apple pode representar um grande perigo para vítimas de violência doméstica. Como representantes da NNEDV explicam, AirTags são aparelhos pequenos e baratos que podem facilmente ser escondidos numa bolsa ou carteira, permitindo que um parceiro abusivo saiba exatamente onde sua vítima está todas as horas do dia.

Erica Olsen, diretora do projeto de rede de segurança da NNEDV, explicou: “Quando alguém tenta deixar uma pessoa abusiva, ou quando está planejando fugir, esse é um momento onde stalking e violência podem escalar. Então é extremamente importante que alguém planejando deixar um relacionamento abusivo possa fazer isso sem que a outra pessoa possa rastreá-la”.

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AirTags funcionam através da rede Find My da Apple, formada por quase 1 bilhão de aparelhos ativos da companhia como iPhones e Macs. Então cada usuário da Apple é parte da rede de rastreamento de AirTags da companhia, e pode acabar sendo cúmplice sem querer da perseguição de uma vítima de violência doméstica.

AirTag, da Apple

Imagem: Apple/Divulgação

Segundo a Apple, usuários de iPhone recebem um alerta se uma AirTag de outra pessoa está com eles. Além disso, AirTags emitem um aviso sonoro depois de três dias sem serem emparelhados com o iPhone de origem.

O problema aqui é que a Apple não envia esses alertas de AirTag para usuários de Android. Então se uma vítima de violência doméstica usuária de Android mora com um parceiro abusivo usuário de iPhone, ela não recebe um alerta pelo celular, e a AirTag escondida nos pertences dela não vai emitir o sinal sonoro depois de três dias.

Como aponta Corbin Streett, especialista em segurança de tecnologia da NNEDV, Apple deveria pelo menos trabalhar com o Google para estender a proteção de AirTags para todo mundo. Ambas as empresas já fizeram isso com seus apps de rastreamento de contato de Covid-19.

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“A Apple está pensando num modelo de ameaça onde a vítima não conhece o stalker. A questão é, e se o stalker for a pessoa para quem ela tem que voltar todos os dias?”, questiona Streett.

Via Fast Company

Imagem: Karolina Grabowska (Pexels)