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A rede social de Mark Zuckerberg lançou uma aba dedicada somente a notícias no ano passado. O recurso, disponível exclusivamente nos EUA, exibe notícias de grupos midiáticos do país. Segundo a rede, isso veio para combater as fake news. Agora, e resolvendo uma disputa amarga entre Facebook e o jornalismo (mais ao final), o Facebook quer levar o recurso para o Reino Unido e anunciou que vai pagar meios jornalísticos de lá.

Dentre as empresas que irão colaborar com a rede social estão o The Guardian Media Group, The Daily Mirror, The Independent, The Economist, além de grupos especializados em revistas de lifestyle como o Hearst (responsável pela Cosmopolitan, Elle e Esquire) e grandes grupos jornalísticos locais.

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As notícias irão aparecer na aba News Tab, que funciona de forma similar a um feed. Porém, os conteúdos serão selecionados de duas formas: pelo algoritmo que escolhe notícias de acordo com os interesses do usuário e por uma curadoria realizada pela equipe do agregador de notícias Upday. O recurso estará disponível somente para o app e deve chegar em Janeiro de 2021.

Os grupos midiáticos têm especial interesse nessa novidade porque o contrato com o Facebook parece ser generoso, o site The Guardian cita algo em torno de £ 10 milhões (por volta de R$ 70 mi). O documento é protegido e não é possível ter acesso para saber a quantia exata.

Ainda outro fator atrai o olhar dos jornais britânicos. Segundo a rede BBC, 95% do tráfego do Facebook News Tab nos EUA é composto por novos leitores que não haviam tido contato com essas mídias noticiosas anteriormente. Isso pode representar um aumento dos viewers e das assinaturas locais.

Passando o pano

O fato da nova aba de notícias ter surgido nos EUA em 2019 e não ter se espalhado pelo mundo de forma rápida como outros recursos do Facebook não é porque a companhia é americana. A situação é bem mais complexa.

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Em 2016, a eleição para presidência dos EUA foi marcada por diversas polêmicas. Em sua maioria envolvendo o candidato Donald Trump (então eleito) e as redes sociais. Além dos escândalos protagonizados pelo ex-presidente, a rede de Mark Zuckerberg foi acusada de influenciar na escolha dos candidatos. Isso ocorreu porque o site serviu como uma grande plataforma para fake news movimentadas em favor de Trump. Há, inclusive, indícios de participação de outros países com interesse na vitória do milionário que investiram em diversas mentiras que foram espalhadas pelos feeds dos yankees, como cita o jornal The Independent. Já na corrida eleitoral de 2020, a empresa tentou não cometer o mesmo erro e bloqueou anúncios políticos, bem como contas de grupos radicais.

Outro fardo que o Facebook carrega como culpa é a atual crise de financiamento do jornalismo. Junto com o Google, que engoliu a maioria da renda por publicidade na Internet, a partir de 2016, o Facebook havia cortado radicalmente a distribuição de notícias. Muitos meios bons de clique, como o Buzzfeed e a Vice, basicamente viviam do Facebook até então. Apesar de promessas, como o recurso instant articles, a situação pouco mudou até agora. 

A criação do News Tab vem como tentativa de reparar os danos causados pela rede social. Porém, a tarefa é demorada já que requer uma análise criteriosa do mercado, da situação política do país onde vai se instalar e de como isso vai impactar a receita do Facebook. Portanto, é cedo para dizer se outros países vão receber o recurso.