Vida Celular

Tudo sobre os melhores celulares

Nós do Vida Celular e nossos parceiros utilizamos cookies, localStorage e outras tecnologias semelhantes para personalizar conteúdo, anúncios, recursos de mídia social, análise de tráfego e melhorar sua experiência neste site, de acordo com nossos Termos de Uso e Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.

Usuários do Facebook relataram pelo mundo todo que centenas de posts condenando os ataques de Israel contra os palestinos foram excluídos da rede. Durante as últimas ocorrências de repressão do governo e da polícia israelense na Faixa de Gaza, a moderação da plataforma excluiu, sem dar maiores explicações, cerca de 500 postagens pró-palestinos.

A organização sem fins lucrativos 7amleh (Centro Árabe para o Desenvolvimento da Mídia Social) documentou entre os dias 06 e 19 de maio mais de 500 relatos de violações dos direitos digitais palestinos. Os registros apontam um aumento significativo na censura do discurso político nas mídias sociais. Mais de 30 outras organizações de direitos humanos se juntaram à 7amleh para pedir maior transparência na tomada de decisões do Facebook, especialmente no que se refere à Palestina. Essas solicitações são parte de uma campanha intitulada Facebook, We Need to Talk.

publicidade

Os grupos de direitos humanos afirmam que as decisões da rede social e de outras empresas de tecnologia equivalem a atos de censura dos palestinos. Além disso, é apontado que as decisões opacas da plataforma levantam questões preocupantes sobre as empresas privadas agindo como mediadoras de quais informações saem de uma zona de guerra. Em situações de conflito, as mídias sociais são frequentemente consideradas o único meio para compartilhamento de informações.

Dentre os relatos de censura no Facebook, há a exclusão de centenas de postagens em solidariedade às famílias palestinas que enfrentam expulsões forçadas do bairro de Sheikh Jarrah em Jerusalém Oriental. Outro caso foi o da escritora e ativista Alia Taqieddin, que teve um evento removido no Facebook, sem avisos ou explicações, onde anunciava uma marcha pró-palestinos em Seattle, onde mora.

Instagram e Twitter

No Instagram, que pertence ao Facebook, também houve atos de censura como o da suspensão do relato de Mona al-Kurd, uma jovem palestina, cujo confronto com um colono isralense se tornou viral. O Instagram também removeu uma série de posts sobre a morte de Saeed Odeh, um palestino de 16 anos. Artistas e ativistas palestinos também viram suas postagens serem removidas e suas contas suspensas sem explicação.

O 7amleh também fez críticas à censura no Twitter, onde 55 casos de remoção de conteúdos palestinos foram relatados. “É especialmente frustrante porque o Instagram e o Twitter estão servindo como as principais plataformas onde os palestinos que sofrem violência na Palestina compartilham o que está acontecendo no local”, disse Taqieddin. “Fico muito preocupada em saber como obteremos informações precisas e de primeira mão em uma crise”.

Os grupos de direitos humanos enviaram uma carta pública a Sheryl Sandberg, diretora e chefe operacional do Facebook desde 2008, exigindo que a rede social tome medidas imediatas para acabar com sua cumplicidade com o que consideram “Apartheid Israelense”. Entre as solicitações no documento, há também o pedido para que o Facebook pare de silenciar os palestinos em suas plataformas.

Poder da rede

Os grupos apelam para que a rede social seja transparente quanto às suas ações de moderação desses conteúdos. “Está ficando claro que apenas um punhado de empresas detém o poder máximo sobre a expressão nessas situações”, diz Jillian C. York, uma ativista da liberdade de expressão da Electronic Frontier Foundation, que tem monitorado a censura na Palestina. Ela acrescentou que a mídia social se tornou ainda mais importante porque os principais meios de comunicação são frequentemente impedidos de cobrir eventos na Palestina.

O Facebook também está sendo convocado pelos grupos para comentar sobre a natureza de seu relacionamento com o governo israelense, com o qual já trabalhou no passado para monitorar postagens que incitam à violência. Representantes do governo israelense não responderam ao The Guardian sobre um pedido de comentários a respeito da natureza de seu relacionamento com o Facebook. São signatários da carta organizações como a Jewish Voice for Peace, o grupo de direitos digitais Fight for the Future, o grupo muçulmano de direitos civis e advocacia Conselho para as Relações Americano-Islâmicas (CAIR) e a associação progressista de interesse público de trabalhadores legais ativistas National Lawyers Guild, nos Estados Unidos.

Nick Clegg, vice-presidente do Facebook para assuntos globais, se encontrou virtualmente com o primeiro-ministro palestino Mohammad Shtayyeh em uma reunião virtual na terça-feira (25/05), onde ele se desculpou pela empresa ter rotulado erroneamente alguns posts como incitação à violência. Clegg reconheceu que houve uma série de falhas recentes que afetaram a capacidade de compartilhar conteúdo no Facebook e Instagram, incluindo um erro que restringiu temporariamente a visualização de conteúdo na página de hashtag da mesquita de al-Aqsa.

Via The Guardian e Al Jazeera

Imagem: wildpixel/iStock