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Semanas após demitir um membro importante da equipe de Inteligência Artificial (AI) de seu quadro, o Google dispensou mais uma pesquisadora sobre ética em inteligência artificial. Dessa vez a demitidia foi Margaret Mitchell, que até sexta-feira (19) trabalhava como líder da equipe de IA do Google (Google Ethical AI). Ela mesma anunciou sua demissão pelo Twitter.

Segundo o recém formado Sindicato dos Trabalhadores da Alphabet, entidade criada por funcionários da empresa matriz do Google, a demissão da pesquisadora foi antecedida por uma suspensão desde o mês passado quando a companhia disse que Mitchell adotou conduta inadequada. Segundo um comunicado do Google à Axios, a gerente de AI violou o código de conduta ao vazar documentos confidenciais que mostravam tratamento discriminatório de Timnit Gebru.

Questão política

Após a suspensão, em um comunicado o Google afirmou que a conta de e-mail institucional de Mitchell foi encerrada enquanto uma investigação interna é realizada por ter supostamente baixado um grande número de arquivos que compartilhou com pessoas de fora da empresa. Usando suas redes sociais, no início de fevereiro, Margaret Mitchell se posicionou sobre a demissão de Timnit Gebru. “Estou preocupada com a demissão de @timnitGebru do Google e sua relação com o sexismo e a discriminação”.

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O Sindicato dos Trabalhadores da Alphabet não se calou e comentou possíveis motivos do Google ter demitido mais uma pesquisadora. “Essa demissão chega pouco depois da demissão da antiga líder Timnit Gebru – defensora da diversidade e cofundadora de um grupo dedicado a aumentar o talento negro em AI – e representa um ataque às pessoas que estão tentando tornar a tecnologia da Google mais ética”, manifestou.

Por meio do Twitter em postagem feita hoje, Mitchell agradeceu aos colegas de trabalho.

“Obrigada a todos que entraram em contato! A todos com quem trabalhei de perto por 4 anos, amei vocês como uma família, obrigada por trabalhar e acreditar em mim. Tentei levantar preocupações sobre a desigualdade de raça e gênero e falar sobre a problemática demissão de Timnit Gebru pelo Google”.

O desligamento de Margaret Mitchell aconteceu um dia depois que o Google nomeou Marian Croak, uma das poucas executivas negras, como chefe de um novo centro de especialização em IA dentro do Google Research. Há seis anos ela exercia o cargo de vice-presidente, atuando em várias frentes.

Dois pesos, duas medidas

Nem sempre o Google respondeu com tanta “mão de ferro” às supostas violações do código de conduta. Em 2018, a empresa foi manchete do The New York Times, e não pela competência na área que domina, mas devido às alegações de má conduta sexual de Andy Rubin, o criador do Android.

De acordo com a reportagem, mesmo após a acusação de má conduta sexual praticada pelo executivo, o Google decidiu pagar cerca de US$ 90 milhões para que ele deixasse a empresa, como uma espécie de “pacote de benefícios de saída”.

Via Mashable