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O Facebook decidiu vetar o acesso e a publicação de notícias em seus feeds para usuários e páginas na Austrália. A decisão é mais uma resposta da rede social de Mark Zuckerberg contra o projeto de lei do país que pretende cobrar das empresas de tecnologia pela divulgação de conteúdos jornalísticos australianos.

Diferentemente do Google, que retrocedeu na ameaça de deixar a Austrália e acabou assinando um acordo com empresas de notícias do país, a postura do Facebook é mais agressiva e envolve a restrição do compartilhamento de notícias australianas em outros países. Pode testar, você não conseguirá compartilhar essa notícia sobre a capacidade dos cangurus conversarem com os humanos no seu Facebook.

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De acordo com a empresa, a lei proposta interpreta mal a relação da rede social com os veículos de notícias. O Facebook alega estar pronto para lançar o Facebook News no país para ampliar significativamente os investimentos em veículos de notícias locais, mas, infelizmente, as divergências entre a empresa e o governo australiano interromperam a ação.

Ainda de acordo com o Facebook, nos últimos anos, seus produtos geraram aproximadamente US$ 5 bilhões aos jornais Australianos somente pelo compartilhamento gratuito de notícias nas redes sociais. A empresa também enfatiza que para ela o lucro com este tipo de conteúdo é mínimo, representando cerca de 4% do que é consumido pela comunidade.

A empresa também declarou que não pretende retirar as páginas dos veículos de notícias da plataforma e que apenas o compartilhamento de links está restrito. Apesar disso, outras funções, bem como ferramentas utilizadas para o levantamento de informações como a plataforma CrowdTangle continuarão ativas aos jornalistas australianos.

Entenda o caso

Nos últimos meses, o governo Australiano declarou uma verdadeira guerra em nome ao protecionismo dos seus portais de notícias contra as big techs. Por meio de um projeto de lei sobre direitos autorais, o país determina que veículos de notícias devem ser remunerados pelo compartilhamento de links em redes sociais e mecanismos de pesquisas como o Google e o Bing, da Microsoft.

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Em contrapartida, as empresas alegam que esta medida fere o conceito de internet livre, além de tornar abrir precedentes para que outros países também imponham regulamentações.

De acordo com o Google, por meio de pesquisas e divulgações em feeds, o conteúdo já é beneficiado sendo alcançado gratuitamente para milhares de pessoas. O tema é tão complexo que até o governo norte-americano entrou no meio, forçando a barra para que a Austrália repensasse sua decisão.

Legislação busca reparação econômica para jornalistas

Apesar de complexa, a medida tomada pela Austrália é um caso raro de preocupação com a integridade e sobrevivência dos veículos locais de notícias em meio ao monopólio das big techs.

A comissão responsável por redigir esta legislação estima que ara cada A$ 100 (dólares australianos; R$ 407) gastos em publicidade online, A$ 53 (R$ 215) vão para o Google, A$ 28 (R$ 114) para o Facebook e apenas A$ 19 (R$ 77) para outras empresas de mídia. E essa parcela inclui outros gigantes internacionais como o Twitter e TikTok, deixando uma parcela muito pequena para veículos locais.

A situação é basicamente a mesma no Brasil e no resto do mundo. Essa é a chave para entender a crise de financiamento do jornalismo no mundo, que faliu sites como o a Vice e o BuzzFeedNews e levou à adoção quase universal de paywalls. Quase ninguém consegue mais viver de publicidade. As agências desistiram de fazer anúncios diretos em sites, que rendiam muito mais às empresas de mídia, porque anúncios do Google e FB são direcionados. Isto é, são customizados pelo que as empresas sabem das pessoas por suas pesquisas ou seus perfis.

Na prática, a renda que antes ia para os sites de jornais fica com as big techs. Além do Google, o Facebook também demonstra uma postura agressiva em relação à legislação. A rede social não ameaçou deixar o país, mas declarou recentemente que pode limitar o conteúdo que aparece no feed dos australianos.

Via TechCrunch
Imagem: Anthony Quintano from Honolulu/Wiki Commons