AplicativosResenhasTestamos o Clubhouse: app de conversas por áudio

Felipe Marsola Monteiro2 semanas atrás13 min

Imagine um monte de pessoas querendo falar pelos cotovelos sobre os mais variados assuntos sem poder apelar para a mesa do bar devido à pandemia. Essa poderia ter sido a premissa que levou Paul Davidson e Rohan Seth a criarem a rede social do momento, já que cabe como uma luva para a realidade atual. Porém, essa é apenas uma forma de descrever do Clubhouse, novo app de que todos estão falando no momento. Nós já testamos a nova ferramenta de bate-papo, saiba o que achamos.

A (rápida) trajetória do Clubhouse

A rede social em áudio surgiu em março de 2020, produzida por uma startup bem enxuta. Ao longo do ano, obteve um crescimento pequeno e se manteve quase despercebido. Porém, o app viu um boom nos números após o último domingo de janeiro deste ano, tendo um acréscimo de 525% nas pesquisas do Google. Isso porque na data, Elon Musk participou de um chat na rede, falando sobre o app Robinhood.

E não é só o CEO da Tesla que está fazendo a popularidade do Clubhouse. Jared Leto, Drake, Oprah Winfrey e outras estrelas estão na rede. Com o crescimento no Brasil, nossas celebridades já ingressaram nessa onda também. Inclusive, Caetano Veloso foi visto (e ouvido) em uma sala ao lado de outros grandes nomes.

O buzz da nova rede social é tanto, que já tem gente vendendo convites para participar dela. Além disso, o app já foi até banido na China após alguns chats sobre questões políticas do país ganharem volume.

Mas, chega de enrolação. Conheça o novo app e saiba o que percebemos ao usar a nova rede de bate-papo por áudio.

Como funciona

O Clubhouse é uma rede social cuja estrutura principal são as salas de chat por áudio sobre os mais variados assuntos. Para ingressar na rede, é preciso receber um convite de um amigo ou aguardar em uma fila de espera. Ainda em fase de testes ainda, o app só está disponível para iOS.

Após conseguir sua conta na rede, você deve marcar seus interesses e começar a seguir pessoas (e ser seguido de volta). Isso vai orientar toda a dinâmica do aplicativo. Na tela principal, aparecem os chats de acordo com seus interesses ou aqueles em que as pessoas que você segue estão participando. Para entrar nessas salas, basta tocar nelas e você passa a ouvir a conversa e ver quem está participando.

Existem 3 níveis de salas de bate-papo que você pode criar ou participar: as públicas, as sociais e as fechadas. Na primeira, qualquer pessoa pode seguir a conversa ou participar dela, no chat social participam só os seguidores da pessoa que criou a sala, já no chat fechado, só entra quem o criador da sala permitir.

Levante a mão para falar

Ao entrar em um chat, você começará a ouvir a conversa automaticamente e verá que ela é dividida entre os falantes, os seguidores e os ouvintes. Quem determina as pessoas que podem falar é o moderador (ou quem criou o chat). É possível apertar o botão de levantar a mão para pedir permissão para ser um dos falantes, sair da sala, ver as regras ou simplesmente ficar ali acompanhando a conversa.

Na parte superior da tela principal, você vai encontrar o ícone de busca com o qual é possível procurar pessoas ou chats, a ferramenta para convidar seus contatos para a rede, o clássico sininho que mostra as notificações e o acesso ao seu perfil e conta.

Há, também, o ícone de um calendário que te mostra os chats agendados e informações como hora e data em que começarão. Ao tocar na conversa agendada, é possível inserir um lembrete para ela na sua agenda do Google ou do iPhone.

Já na parte de baixo da tela principal, encontra-se o botão para começar uma nova sala e um ícone que permite ver as pessoas que te seguem.

O que você vai encontrar

Não se assuste se sua tela principal parecer um verdadeiro pandemônio de chats. Você irá encontrar salas de acordo com seus interesses nos mais diversos idiomas e de muitas formas. Existem salas que são quase como baladas ou barzinhos, você entra e está tocando música, algumas pessoas conversando e você pode pedir para participar da conversa e conhecer gente nova. Há também aquelas mais sérias em que você entra para ouvir o debate sobre um determinado assunto.

E o filtro não é muito preciso. No meu caso, por exemplo, vi salas com cursos de idiomas, debates políticos, alguns chats em coreano, japonês e chinês sobre os quais não entendi nada (por motivos óbvios de não falar o idioma), até comentários do BBB, conversas sobre fluxo de energias nos chakras e palestras sobre como criar conteúdos para redes sociais.

Considerações

Ao utilizar o Clubhouse pela primeira vez, senti um grande mix de coisas. Primeiro, o app parece um pouco confuso de usar logo de cara. Com um pouco de coragem, você passa a mexer nas ferramentas e vai descobrindo que nem é tão complicado assim. Mas, é inevitável que pode ser um tanto caótico.

Para os heavy users de redes sociais (como eu), o Clubhouse vai parecer uma extensão do Twitter, Reddit ou até LinkedIn. Não só pelo fato de que boa parte das pessoas que sigo estão nessas redes também, mas pelos chats em si. Em alguns, a conversa flui livremente, com gargalhadas e comentários de todos os tipos. Já em outros, o papo parece uma palestra formal feito por pessoas engravatadas.

Ao começar a entender melhor a rede e encontrar os chats que você gosta, é natural se sentir ultra conectado. Inclusive, nos primeiros momentos, o app supre a necessidade social de conversar ou de se sentir parte de uma conversa. Com o tempo de uso, já dá para dizer que você é um clubber ou clubhouser (qual será o nome dos usuários?).

A proximidade e intimidade do áudio

Outro ponto a ser levantado pela experiência no Clubhouse são as reflexões que ele me causou (e acredito que muita gente deve estar pensando o mesmo). Primeiro, você pode entrar em uma sala com seus ídolos, como o próprio Caetano Veloso ou Alice Caymmi no meu caso, e por mais que você esteja só como ouvinte, é inevitável sentir uma proximidade com eles muito maior do que as interações por texto no Twitter, por exemplo. Segundo, por ser uma rede de conversas por áudio, as pessoas parecem manter um tom cordial diferente do papo mais “caloroso” que ocorre em outros espaços. Além disso, em um momento que estamos ficando mais em casa pela pandemia, ter uma necessidade social suprida desse jeito me assusta um pouco. Os impactos disso tudo? Deixo para os acadêmicos pesquisarem.

Assuntos filosóficos à parte, o Clubhouse pode ser uma rede interessante para passar bons momentos dando risadas ou conversando sobre absolutamente qualquer coisa. Principalmente se você gosta de falar ou de ter uma experiência mais próxima do contato social real.

Imagem: Pcruciatti (Shutterstock)