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A nova atualização do navegador Brave saiu com integração direta a IFPS (InterPlanetary File System). O browser, cujo mote é o uso da internet sem invasão de privacidade, promete um acesso à internet mais rápido e sem censura.

Quando o usuário acessa um site, os dados chegam até ele à partir de um servidor central, normalmente pelos protocolos HTTP ou HTTPS. No caso do IFPS, os dados são enviados de forma muito diferente. Eles são distribuídos a partir de múltiplos nodos, de maneira similar ao P2P, presente nos torrents. Isso torna muito difícil detectar sua origem.

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Uma das vantagens do IFPS é que os sites podem acessar sites por nodos mais próximos, ao invés de irem diretamente aos servidores, que podem estar longe. Dessa forma, as páginas podem ser carregadas mais rápido. Por fim, o protocolo também facilita para os donos dos sites, que não precisam mais hospedar seus endereços em servidores de alto custo para acesso mais rápido.

Entretanto, uma das principais vantagens do IFPS é que o uso descentralizado da internet permite acesso à páginas censuradas, pois os nodos podem burlar limitações locais. É provável que o mesmo recurso esteja presente em outros navegadores à medida em que se popularize.

…e IFPS na prática

O princípio dos fundadores do IFPS é criar uma internet descentralizada. O protocolo, no entanto, não muda a forma de acessar uma página – se ela existe apenas em HTTPS, não é possível usar o IFPS para acessá-la mais rápido, ou desbloqueá-la caso seja removida.

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E antes que alguém pense que “sem censura” é conversa de extremista de direita, o IFPS já foi testado em 2017, quando a Justiça da Espanha determinou a ilegalidade do Referendo de Independência da Catalunha. O Partido Pirata catalão espelhou uma versão do site para este protocolo. Outro uso ativista da nova forma de acesso à internet veio dos próprios criadores, que subiram uma versão do Wikipedia para acesso em países onde o site é censurado, como Turquia e Tailândia.

Quem realmente ganhou com um navegador integrado com IFPS foram os que já usavam o serviço – que é relativamente popular no mundo da criptomoeda. Do mercado de bitcoins a mineração e até apostas com moedas digitais, com diversas páginas já compatíveis com o protocolo.

Por fim, isso significa que os sites precisam ser hospedados em versões IFPS, o que vai do interesse dos desenvolvedores. O protocolo mostra potencial para o futuro, porém não oferece muitas vantagens para os usuários comuns da web.

Desbloqueio de sites

Além do IFPS, o Brave vem com uma forma extra de navegação privada – a chamada “Navegação Privada com o Tor”. Sim, o famoso browser para explorar as terras sem lei está disponível, e com ele é possível mascarar completamente os dados do usuário.

Para pôr à prova, testei os sites consegui acessar serviços indisponíveis no Brasil, como o Pandora e o Hulu. Os dois estavam indisponíveis na navegação privada comum, mas não no novo recurso com o Tor.

Isso significa que o novo modo de navegação substitui a necessidade de usar um VPN? Depende. Isso porque o uso do Tor é lento, então o acesso a serviços de streaming, ou até mesmo os aplicativos citados

Mesmo antes de usar IFPS, o Brave já contava com a fama de ser mais rápido do que os titãs da navegação. O navegador privativo continha um sistema embutido de eliminação de propagandas e ad trackers, fazendo as páginas carregarem até oito vezes mais rápido.

Publicidade opcional

Isso não significa, entretanto, que o navegador oferece uma navegação completamente sem publicidade. Ao invés disso, o Brave utiliza as mesmas estruturas para exibir suas próprias propagandas – oferecendo outros serviços, como o VPN e o cliente de e-mail, por exemplo. A estratégia é agressiva aos anunciantes web, e só funciona em versões não-privadas do navegador.

Para evitar que os usuários prejudiquem produtores de conteúdo que lucram com publicidade, o Brave oferece uma alternativa: optar por visualizar anúncios e receber em créditos digitais. O valor, calculado em Basic Attention Tokens (BAT), é convertido em dólares – que podem ser usados em contas digitais ou como doações.

Para se ter uma noção, em uma tarde de navegação pela web o Brave me creditou com 140 BAT, o que dá US$ 0,04. Alguns usuários reclamaram da inconsistência do valor por pontuação, que varia conforme o local onde o site está hospedado. Ou seja, é mais pra incentivar do que para pagar as contas.

A versão 1.19 do navegador (uma boa para quem já enjoou do Chrome) está disponível para baixar no site, na Apple e na Play Store.

Via Engadget