AplicativosNotíciasBirdwatch: Twitter lança sistema de discussão (e denúncia) de tweets

Lucas Soares1 mês atrás8 min

Em mais uma tentativa de combater o compartilhamento de notícias faltas em sua plataforma, o Twitter lançou, ainda em fase de testes, o Birdwatch. O novo recurso é uma forma aos próprios usuários deixarem comentários sobre tweets dos outros, e em um primeiro momento, vai funcionar em uma página independente.

Ao contrário do sistema de moderação padrão do Twitter, no qual é possível denunciar uma postagem irregular e aguardar a análise pela equipe responsável da empresa, no Birdwatch essa verificação pode ser feita pelos próprios usuários. Basicamente, uma página separada da rede social padrão permite que as pessoas identifiquem informações em tweets que acreditam ser enganosos e escrevam notas que fornecem um contexto informativo.

De acordo com o Twitter, o principal objetivo com isso é usar o próprio público da rede social para fazer com que a verificação de conteúdo falso na plataforma ocorra de maneira mais rápida do que atualmente.

O sistema parece confuso, e o próprio Twitter reconhece ser mesmo, por isso o programa ainda está em fase de testes e, por enquanto, só pode ser usado por usuários que estejam nos Estados Unidos. Ele também depende de um cadastro com verificação de telefone, para evitar que bots dominem o serviço.

Até o momento, o Birdwatch funciona em um site separado do Twitter, assim só dá para ver as notas por lá, mas isso deve mudar caso os testes sejam bem sucedidos. “Acreditamos que essa abordagem tem o potencial de responder rapidamente quando informações enganosas se espalham, adicionando contexto em que as pessoas confiam e consideram valioso. Eventualmente, pretendemos tornar as notas visíveis diretamente para o público global do Twitter, quando houver consenso de um amplo e diversificado conjunto de colaboradores”, disse a rede em um comunicado.

Terreno sombrio

Apesar de ainda estar em testes no Twitter, o Birdwatch já enfrenta bastante polêmica. A rede social recentemente bloqueou diversas contas relacionadas a grupos extremistas que compartilhavam informações falsas, incluindo a do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. A nova medida é mais uma tentativa de evitar a propagação desse tipo de conteúdo, mas permitir uma moderação feita pelos próprios usuários pode gerar problemas.

Na própria plataforma o programa deixou usuários divididos, há quem acredite que o sistema pode ser positivo e diminuir a propagação de conteúdo falso, mas o projeto também recebeu críticas por depender dos próprios internautas para avaliar a veracidade de um tweet.

“O Twitter anunciou hoje que apresentará #Birdwatch , o rotula como uma abordagem baseada na comunidade para “combater a desinformação”, ou seja, abordagem semelhante que o Facebook adotou ao terceirizar as decisões de censura para “verificadores de fatos” externos”, comentou um usuário.

No caso, o sistema do Facebook é um pouco diferente do adotado pelo Birdwatch do Twitter. Na rede de Mark Zuckerberg os verificadores de fatos precisam colocar um artigo com o conteúdo real, confirmando que a postagem é falsa e não pode ser por qualquer usuário.

Por enquanto, programa ainda é uma incógnita

“O @Twitter lava as mãos e joga pra torcida. Decidam aí o que é verdadeiro e falso, sugere o @birdwatch. Ao que tudo indica, projeto sem KPIs definidos. Nenhum checador profissional envolvido. Agora, me digam, quem vai “limpar” o Twitter de graça, hein? Só “cidadão de bem”, né?”, comentou Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa de checagem de fatos.

“Está começando a ficar interessante. Vou esperar sair mais coisas sobre para ficar “hypado”, mas é promissor”, escreveu outro usuárip. “A proposta do Twitter é interessante: a comunidade fornecerá contexto aos tweets para combater a desinformação”, disse outro tweet.

A verdade é que só vai dar para ter uma noção completa de como o programa vai funcionar após os testes. Por enquanto, ainda não há previsão de quando o Birdwatch vai chegar de forma oficial ao Twitter e em outros países fora dos Estados Unidos.

Imagem: Tero Vesalainen (Shutterstock)