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Por causa das vivências com sua filha Alicia, 18, diagnosticada com síndrome de Asperger – uma condição psiquiátrica do espectro do autismo –, a publicitária Elaine Marques concebeu o Rede Azul, um app que ajuda a comunidade autista a encontrar opções de serviço em regiões próximas. Marques constatou a dificuldade em encontrar locais e profissionais adequados às necessidades da filha e entendeu que uma rede colaborativa para conectar pais que estejam lidando com os mesmos obstáculos, poderia ser uma saída coletiva para o dilema.

App Rede Azul foi lançado para Android em 2019

“Os apps, são, em sua maioria, desenvolvidos para auxiliar na fala e no reconhecimento dos sentimentos dos autistas. [Não havia] nenhum voltado para a parte de serviço e indicações”, diz Elaine (na foto em destaque com Alicia).

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Lançado em dezembro de 2019 para Android e agora disponível para iOS, o Rede Azul conta com indicações de profissionais e serviços em 20 estados. Até o momento, são mais de 1,5 mil usuários registrados. O app foi desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia Fire Fish, de Santos, e é gratuito.

“O maior diferencial do Rede Azul é que as indicações são feitas pelos usuários, ou seja, outras famílias que passam por boas experiências”, explica Elaine. “Então você tem um grau de confiabilidade muito maior do que um catálogo, por exemplo.”

Como funciona

Operar o sistema de avaliação no Rede Azul funciona de forma muito semelhante ao método já tradicional do Google. Os usuários contribuem no app com indicações de locais ou serviços amigáveis  – chamados de “Pontos Azuis” – a pessoas no espectro do autismo. Com essas informações, o app calcula uma média simples das notas para cada indicação. Por enquanto, há cerca de 270 indicações disponíveis no aplicativo.

Os Pontos Azuis são divididos em 19 categorias, entre elas escolas, terapias, estética, igreja, esportes e turismo. Há também uma modalidade especial para famílias, uma seção que funciona como rede de apoio para pais que precisam trabalhar em casa para cuidar de pessoas com autismo.

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“O app pode ajudar a valorizar famílias atípicas, que tiveram que deixar seus empregos formais e virar empreendedores para conseguir acompanhar o tratamento dos filhos”, relata Elaine. “Consigo então divulgar famílias que prestam serviço naquelas cidades e as pessoas podem dar preferência a solicitar um produto daquela família.”

App foi tema de documentário

A circulação do app – que, recentemente, ganhou um documentário – também é uma expectativa, na visão de Elaine, de enfrentar o tabu do autismo nas famílias. A ficha caiu para a publicitária quando, na escola da filha, um pedido para criar um grupo de pais com filhos com autismo foi negado.

“Eu me sentia muito sozinha em relação ao assunto e queria conversar com outros pais para entender quais fases eles haviam passado, o que fazer em cada uma delas, trocar experiências”, relata. “Daí nasceu a ideia do app, por conta da tecnologia que permite alcançar muitas pessoas de forma simultânea. Independentemente da classe social, todo mundo tem um celular em mãos e consegue acessar esse tipo de informação.”

O Rede Azul está disponível para download no Google Play Store e na App Store. No Android, o app já conta com mais de 5 mil downloads.

Imagem: Fernando Schroeder