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Uma escuta foi encontrada no iPhone de uma funcionária da ativista russa Lyubov Sobol, opositora política do presidente Vladimir Putin. Evidentemente, Sobol, que está em campanha para as eleições legislativas da Rússia (para selecionar as cadeiras ocupadas da “State Duma”, a casa inferior da assembleia legislativa), suspeita do governo do governo de situação do país, por quem ela já foi investigada várias vezes.

A história por trás da ativista russa, da escuta e do iPhone remete aos melhores filmes que satirizam a espionagem romantizada de Hollywood: em 21/12/2020, a gerente de campanha de Sobol, Olga Klyuchnikova, foi presa pela FSB (a antiga “KGB”) sob acusações de “crimes administrativos”). Ela ficou sob custódia por uma semana antes de ser liberada, mas havia algo errado. O caso foi mostrado no vídeo abaixo – parabéns se você conseguir entender o idioma russo, aliás:

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Klyuchnikova percebeu que seu iPhone – tomado pelas autoridades no ato da prisão e devolvido em sua libertação – começou a apresentar mal funcionamento, sobretudo na duração da bateria. Suspeitando de seus captores, ela, junto de Sobol, abriram o smartphone e viram um dispositivo de escuta instalado (de forma bem amadora) entre seus componentes originais.

Em termos resumidos, a equipe de Sobol descobriu o que parece ser um dispositivo conhecido como “Cartão TOPIN Small ZX620 PCB Wifi LBS GSM Tracker Positioning TF” – que custa cerca de US$ 40 (ou R$ 211,87 na conversão direta) no AliExpress. Basicamente, ele vem com um chip (cartão SIM) próprio para que ele possa transmitir seus dados pela internet, mas fora, isso, ele só precisa de uma fonte constante de energia.

escuta iphone ativista russa

Escuta instalada em um iPhone, na Rússia: alvo era membro da oposição do presidente Vladimir Putin (Imagem: Anton Cherepanov, via Twitter)

No presente caso, o cartão foi inserido no iPhone de Olga Klyuchnikova, mas os técnicos precisaram remanejar algumas peças para ganhar espaço. Então eles removeram o encaixe original do cartão SIM do disposito e soldaram o chip diretamente em sua placa. Depois, eles removeram uma das duas células de bateria do iPhone – a maior delas -, trocando-a por um modelo de menor tamanho (por isso a súbita “curta duração” da bateria). Eles conectaram alguns fios do cartão na bateria e pronto: uma fonte constante de energia.

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Uma vez acionada, a escuta teria acesso aos dados de GPS e as capacidades de gravação de voz do smartphone, sabendo de antemão dos passos da gerente de campanha e gravando remotamente suas ligações. Ou “teriam”, já que a “gambiarra” na implantação da escuta fez com que ela não funcionasse.

Sobol e sua equipe prontamente acusaram o atual governo russo, mas não informaram quais atitudes pretendem tomar sobre o caso. Mas a escuta no iPhone do time da ativista não é uma grande preocupação no momento: em 21/12/2020, Sobol dirigiu-se à casa de Konstantin Kudryavtsev (que havia contado detalhes do envenenamento de Alexey Navalny, outro opositor de Putin) a fim de cobrar mais explicações.

Literalmente momentos antes de ela bater à porta do homem, porém, a FSB prendeu Sobol e, dias depois, vasculhou a sua casa. Sobol está sendo acusada de ter cometido uma “ameaça ilegal” – o que ela nega. Caso seja condenada, ela pode pegar entre dois e cinco anos de prisão.

Via Slashgear

Imagem: Vicspacewalker/Shutterstock