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Por que o criador do Flappy Bird apagou o jogo no auge do sucesso

Dong Nguyen avisou com 22 horas de antecedência e cumpriu. Dez anos depois o jogo voltou às lojas sem ele — que afirma não ter vendido nada a ninguém.

10 ago 2026 · 4 min de leitura

Celular exibindo a tela do jogo Flappy Bird, com o pássaro entre canos verdes.

O vietnamita Dong Nguyen tirou o Flappy Bird das lojas de aplicativos em fevereiro de 2014 porque considerou que o jogo havia virado um problema. Ele disse à revista Forbes que a ideia era um passatempo de poucos minutos para momentos de descanso, mas que o resultado se tornou um produto viciante.

A decisão custou caro em dinheiro. Nguyen revelou que faturava cerca de US$ 50 mil por dia com anúncios exibidos dentro do jogo. Ele desligou essa fonte de receita por conta própria, sem processo judicial, sem falência e sem venda.

Um aviso de 22 horas e um jogo esquecido de 2013

O Flappy Bird não nasceu viral. Foi publicado em 2013 e passou meses sem repercussão, feito por um desenvolvedor solitário no estúdio .GEARS.

A explosão veio no fim daquele ano e no começo de 2014, quando o jogo chegou ao topo das listas de mais baixados nas lojas da Apple e do Google ao mesmo tempo.

O sucesso trouxe o que Nguyen não queria. Ele reclamou publicamente que a imprensa estava superestimando seus jogos e pediu para ser deixado em paz.

Em 8 de fevereiro de 2014, ele avisou no Twitter que retiraria o jogo dali a 22 horas e escreveu que <cite index=”44-1″>não aguentava mais</cite>. Cumpriu o prazo.

Quem já tinha o aplicativo instalado continuou jogando normalmente, porque a remoção vale para novos downloads, não para cópias que já estão no aparelho.

O boato da Nintendo e os celulares vendidos a peso de ouro

Duas histórias cresceram em cima do vácuo deixado pela saída.

A primeira é a de que a Nintendo teria pressionado o desenvolvedor por causa dos canos verdes do cenário, parecidos com os de Super Mario. Nunca houve confirmação de qualquer ação da empresa japonesa, e o próprio Nguyen negou motivação jurídica. Trate como boato.

A segunda é verificável e mais curiosa. Depois da remoção, apareceram anúncios de celulares usados com o jogo já instalado, com preços que iam de centenas a milhares de dólares em sites de leilão. Boa parte dessas ofertas era brincadeira ou lance falso, e a plataforma removeu várias delas.

Sobrou também um efeito colateral perigoso. Surgiram dezenas de cópias e arquivos de instalação distribuídos fora das lojas oficiais, e empresas de segurança identificaram versões carregadas de programas maliciosos. Esse risco continua valendo hoje.

A marca trocou de dono e o jogo voltou sem o autor

A história ganhou um segundo ato em setembro de 2024. Um grupo chamado Flappy Bird Foundation anunciou o relançamento oficial do jogo, com novos personagens e modos.

O grupo afirmou ter adquirido os direitos da empresa americana Gametech Holdings, que passou a deter a marca depois que o registro de Nguyen foi considerado abandonado por inatividade.

Nguyen respondeu em três frases. Disse que não tem relação com o novo jogo, que não vendeu nada e que não apoia criptomoedas.

A menção a criptomoedas não veio do nada. Um pesquisador encontrou, em páginas ocultas do site do projeto, referência ao jogo na rede Solana e a recursos de Web3. Os responsáveis afirmaram depois que não haveria tokens não fungíveis e que esses recursos seriam opcionais.

Há ainda uma camada anterior nessa disputa. O Flappy Bird é apontado como inspirado no francês Piou Piou vs. Cactus, e o criador desse título foi convidado a participar do relançamento.

Se você quiser conferir o original, procure na sua lista de aplicativos já adquiridos, em Comprados, no seu perfil da App Store, ou na biblioteca da Google Play. Contas antigas às vezes ainda listam o item para reinstalação.

O que não vale a pena é procurar arquivos de instalação avulsos em sites de busca. Foi exatamente por essa porta que passaram as cópias maliciosas de 2014, e aplicativo fora de loja oficial não tem revisão de segurança nem canal de reclamação.

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