O celular mais fino já feito é de 2014 e ninguém bateu o recorde
O recorde de espessura é de 2014 e segue de pé. O de peso vem dos anos 1980. Já o preço recorde não passa de valor declarado por quem fabricou o aparelho.
11 ago 2026 · 4 min de leitura
O celular mais fino já fabricado é o Vivo X5Max, lançado em 2014 com 4,75 milímetros de espessura. O recorde está de pé há mais de uma década: nem o iPhone Air, de 5,6 mm, nem o Galaxy S25 Edge, de 5,8 mm, chegaram perto.
O mais pesado entre os aparelhos portáteis vendidos ao público é o Motorola DynaTAC 8000X, com cerca de 790 gramas. Já o recorde de preço é o mais frágil dos três: as cifras milionárias que circulam vêm de quem fabricou os aparelhos, não de venda comprovada.
790 gramas para falar meia hora
O DynaTAC 8000X chegou ao mercado americano em 1984, depois de receber aprovação regulatória em setembro de 1983.
Pesava aproximadamente o mesmo que quatro celulares atuais somados e media cerca de 25 centímetros sem a antena. A autonomia era de meia hora de conversa, com dez horas de recarga.
O protótipo usado por Martin Cooper na primeira ligação de celular da história, em 1973, era ainda mais pesado, na casa de 1,1 quilo. Esse nunca foi vendido.
Vale o recorte de categoria: telefones instalados em carro e os modelos de mala, com bateria externa, pesavam muito mais. Eles não competem na mesma prateleira dos portáteis.
O recorde de 4,75 mm resiste desde 2014
A corrida pela espessura mínima aconteceu num único ano e nunca mais foi retomada com a mesma intensidade.
Em setembro de 2014, o Gionee Elife S5.1 foi reconhecido pelo Guinness como o mais fino do mundo, com 5,1 mm. Um mês depois, a Oppo lançou o R5, com 4,85 mm. Poucos dias após isso, a Vivo apresentou o X5Max, com 4,75 mm.
O preço técnico foi alto. O Oppo R5 abriu mão da entrada de fone de ouvido e do cartão de memória, e carregava uma bateria de apenas 2.000 mAh.
O X5Max fez melhor. Manteve entrada de fone, dois chips e espaço para cartão de memória, com uma placa-mãe de 1,7 mm de espessura.
A moda voltou em 2025, com o iPhone Air e o Galaxy S25 Edge, e voltou com as mesmas concessões: bateria menor e recursos suprimidos. Nenhum dos dois alcançou a marca chinesa de onze anos antes.
Os US$ 48 milhões que ninguém consegue comprovar
Aqui a apuração muda de natureza. Dezenas de sites repetem que o celular mais caro do mundo é um iPhone 6 coberto de ouro com um diamante rosa, avaliado em US$ 48,5 milhões.
O problema é que as versões não batem. Umas atribuem a peça a um joalheiro britânico, outras a uma empresa americana. Os preços dos outros aparelhos da lista também variam de fonte para fonte, com diferenças de milhões de dólares no mesmo modelo.
Nenhuma dessas cifras corresponde a uma venda registrada em leilão ou a laudo independente. São valores de avaliação divulgados por quem produziu o objeto, e o preço vem quase todo da pedra, não do telefone.
O que existe de verificável vai por outro caminho. Um iPhone de primeira geração, lacrado na caixa original, foi arrematado em leilão por um valor na casa das centenas de milhares de dólares. Aí há comprador, martelo e registro.
Você pode conferir a distância entre esses extremos e o seu bolso com uma balança de cozinha. Coloque o celular em cima: um aparelho atual costuma ficar entre 170 e 230 gramas, ou seja, menos de um terço do DynaTAC.
Depois procure a espessura na ficha técnica do fabricante, em milímetros. Se o número passar de 8, o seu telefone é mais grosso que o dobro do recordista de 2014.
E, para quem se anima com a ideia de importar uma peça cravejada: aparelho sem número de homologação da Anatel não pode ser comercializado no país e não tem garantia de assistência técnica aqui.