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Microsoft, Google e Facebook se unem contra empresa de spyware israelense

Laptop mostrando uma tela vermelha com bandeira de pirata, indicando presença de malwares ou spywares

Um grupo de empresas de tecnologia, entre elas Microsoft e Google, entrou com um pedido de “amicus curiae” (algo como “amigo da corte”) na Justiça dos EUA em apoio à ação do Facebook contra o NSO Group, uma empresa de spyware de Israel. A empresa de Mark Zuckerberg alega que o fornecedor usou o software do WhatsApp para hackear 1400 dispositivos por meio de uma vulnerabilidade no sistema.

De acordo com a Reuters, o NSO alegou que, por vender softwares para agências de segurança pública, deveria se beneficiar de uma “imunidade soberana” – um recurso na legislação internacional que impede cidadãos de um país de processarem governos nacionais. Este pedido foi indeferido em julho pelo Distrito do Norte da Califórnia e agora a empresa de Israel foi à Corte de Apelos para o 9º Circuito – uma das 13 instituições federais nos EUA – para anular a decisão.

Em uma postagem intitulada “Cyber Mercenaries Don’t Deserve Immunity” (“mercenários cibernéticos não merecem imunidade”), a Microsoft alega que o modelo de negócios do NSO Group é nocivo para o mercado. “Essa imunidade permitiria que ele (o NSO) e outros PSOAs (em inglês, sigla para ‘atores ofensivos do sistema privado’) continuassem seus negócios sem regras legais, responsabilidades ou repercussões”, diz o texto.

Ameaça aos direitos humanos

Microsoft e Google não se juntaram ao Facebook somente por causa das acusações de spyware. A empresa de Bill Gates também argumenta que o NSO pode se tornar uma ameaça aos direitos humanos. Isso porque há relatos de que as ferramentas de hackeamento foram utilizadas pela empresa contra jornalistas e defensores da causa.

“As empresas privadas devem estar sujeitas à responsabilidade quando usarem suas ferramentas de vigilância cibernética para infringir a lei ou permitir conscientemente seu uso para tais fins”, diz o texto, “independente de quem são seus clientes ou o que eles estão tentando alcançar”.

A empresa de spyware ainda não respondeu às acusações de Microsoft e Google. No passado, o NSO explicou que seu programa é utilizado por agências do governo de Israel para combater o crime organizado e o terrorismo.

O problema é que, recentemente, surgiram informações de que os serviços da empresa foram usados contra alvos do Estado israelense – de jornalistas a dissidentes políticos. Uma das provas é um recente artigo do Citizen Lab, que afirma ter encontrado indícios de que o software foi usado para hackear telefones de funcionários da emissora de televisão qatari Al Jazira.

Via The Verge

Imagem: Michael Geiger/Unsplash/CC

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