¿Quién decide qué emojis existen y por qué están prohibidos casi todos?
Quem decide quais emojis existem é o Unicode Consortium, uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos. Ela mantém o padrão que faz uma mesma letra ou figura aparecer igual em qualquer aparelho do mundo. Emoji é só mais um tipo de caractere dentro desse padrão.
Qualquer pessoa pode propor um emoji novo, de graça. A dificuldade não é o acesso — é passar pelos critérios. Das centenas de propostas enviadas por ano, o Unicode aprovou oito emojis na leva mais recente, a versão 17.0.
O comitê existe, mas não é secreto
A avaliação começa no grupo de trabalho responsável por emojis, criado em 2015 para dar conta do volume de pedidos. Ele filtra as propostas e leva as sobreviventes ao Unicode Technical Committee, o comitê técnico que vota.
Nada disso acontece a portas fechadas. O Unicode publica as propostas recebidas, as atas das reuniões, a planilha com o status de cada pedido e uma lista de emojis recusados.
Existe um detalhe que costuma passar batido: pedidos negados nos últimos quatro anos não podem ser reapresentados. Ou seja, insistir no mesmo emoji logo depois de uma recusa não adianta.
Propor é de graça, e quase sempre dá em nada
O envio não tem custo. O próprio Unicode afirma que todas as submissões são analisadas e que uma parcela muito pequena avança para virar caractere.
Há uma contrapartida jurídica. Ao enviar, o proponente garante que o desenho está livre para uso aberto e concede ao Unicode uma licença permanente, mundial e sem pagamento de royalties para codificar aquele emoji.
O custo real é de trabalho. A proposta precisa vir em inglês, com evidência estatística de que o símbolo seria muito usado — dados de busca, volume de menções, comparações com emojis que já existem.
Isso ajuda a explicar por que não há emoji de brigadeiro, pão de queijo ou caipirinha. Itens de alcance nacional têm dificuldade de provar frequência de uso global, que é o critério central.
O que derruba uma proposta
A lista de fatores de exclusão é específica. Marcas, logotipos e produtos de empresas estão fora. Pessoas reais, divindades e figuras específicas também.
Ideias muito restritas caem. Modismos passageiros caem, porque o padrão é permanente e um emoji encodificado não é removido depois.
E redundância derruba: se a ideia já pode ser expressa por um emoji existente ou por combinação de dois, ela é considerada desnecessária.
Do outro lado, há casos famosos que passaram. O emoji de mulher com hijab foi proposto por Rayouf Alhumedhi, então com 16 anos, e aprovado em 2017. O de guioza veio de uma proposta que documentava a presença do prato em dezenas de culinárias.
Da aprovação até o seu teclado, quase dois anos
A votação não coloca o emoji no seu celular. Depois da aprovação, cada fabricante desenha a própria versão — por isso o mesmo emoji tem cara diferente no iPhone, no Android e no WhatsApp.
O Unicode 17.0 foi recomendado em setembro de 2025, com oito novidades: rosto distorcido, orca, criatura peluda inspirada no Pé-Grande, baú do tesouro, trombone, deslizamento de terra, nuvem de briga e bailarinos. Um nono candidato, o miolo de maçã, caiu antes da publicação final.
Segundo estimativas da Emojipedia, o WhatsApp começaria a distribuir esses desenhos no início de 2026 e a Apple entregaria os seus por atualização do iOS 26, por volta de março ou abril de 2026.
Do envio da proposta até o teclado, o caminho leva de 18 a 24 meses.