Εικονίδιο αποθήκευσης: γιατί ένα σβησμένο αντικείμενο παραμένει στην οθόνη σας;
Ele parou de representar um objeto e virou sinal aprendido, como uma letra do alfabeto. O mesmo aconteceu com o telefone, a ampulheta e o envelope do e-mail.
O ícone de salvar continua sendo um disquete porque ele deixou de ser um desenho de disquete. Virou um símbolo aprendido, como o sinal de mais ou a seta de trânsito. Quem nasceu depois de 2005 aprendeu o significado sem nunca ter visto o objeto — e isso não atrapalha em nada.
Trocar o desenho seria mais custoso do que mantê-lo. Um ícone novo exigiria reeducar bilhões de usuários que já reconhecem aquele quadrado com um retângulo dentro. Empresas de software preferem manter o sinal e mudar o que está por trás dele.
De cópia da realidade a sinal abstrato
O disquete na barra de ferramentas é um caso de skeuomorfismo: quando um objeto digital imita a aparência de um objeto físico para ficar compreensível.
A lógica fazia sentido nos anos 1980. Quem nunca tinha usado um computador precisava de pistas visuais familiares: pastas, mesa de trabalho, lixeira, bloco de notas.
O que mudou foi a função do desenho. Na teoria dos signos, um ícone funciona por semelhança com aquilo que representa. Um símbolo funciona por convenção, por acordo aprendido.
O disquete atravessou essa fronteira. Ele não lembra mais nada a ninguém — só significa “salvar”, e pronto.
O objeto que a maioria nunca segurou
O disquete foi lançado comercialmente pela IBM em 1971, com 8 polegadas de diâmetro e feito de plástico flexível, daí o nome.
Encolheu para 5,25 polegadas em 1976 e chegou ao formato de 3,5 polegadas, com carcaça rígida, em 1983 [CONFERIR]. É esse último, o de capacidade mais lembrada de 1,44 MB, que virou o desenho na sua tela.
Para dimensionar: uma única foto tirada por um celular atual, com 4 MB, não caberia em três disquetes.
Os drives começaram a desaparecer dos computadores domésticos nos anos 2000. Quem hoje tem 20 anos provavelmente nunca encostou em um.
Os outros fósseis na sua tela
O disquete não está sozinho. A interface do seu celular está cheia de objetos que sumiram do mundo real.
O ícone de ligação é um fone de telefone fixo, com bocal e receptor separados. Aparelhos assim saíram das casas brasileiras há décadas.
O ícone de câmera de vários aplicativos ainda traz um corpo retangular com lente saliente e, às vezes, o desenho de um fole ou de um visor óptico — peças de máquinas fotográficas que a câmera do celular não tem.
A ampulheta indica espera em vários sistemas, embora ninguém meça tempo assim há séculos. O envelope significa e-mail, mesmo para quem nunca lambeu a aba de um.
Há mais: a tesoura para recortar, a prancheta para colar, o carrinho de supermercado para comprar. E os botões de reproduzir, pausar e parar vieram dos gravadores de fita cassete e de rolo.
No Brasil, o disquete decidiu eleições até 2010
Por aqui o objeto teve uma sobrevida específica e pouco lembrada.
A primeira urna eletrônica brasileira, o modelo UE96, rodava com processador Intel 386SX de 40 MHz, 2 MB de memória e dois disquetes de 1,44 MB como armazenamento, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
E o formato não saiu de cena rápido. As urnas do modelo 2006 usaram unidade de disquete até as eleições de 2010, conforme registro da Justiça Eleitoral. A partir de 2012, esses equipamentos foram atualizados e a unidade de disquete deu lugar a uma entrada USB.
Ou seja: enquanto o disquete já era piada de internet, ele ainda estava gravando votos no Brasil.