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A Alemanha começou e Seul adotou: o semáforo embutido na calçada

Luzes de LED embutidas na calçada indicando o sinal de trânsito, com pés de pedestres ao lado.

Faixas de LED embutidas no piso indicam o sinal para quem atravessa a rua olhando para a tela do celular. Crédito: Google/Gemini

Seul instalou faixas de LED embutidas no chão, na borda das calçadas, para que o pedestre distraído enxergue o sinal sem precisar levantar a cabeça. As luzes acompanham o semáforo tradicional: vermelho para parar, verde para atravessar.

A motivação é o aumento de acidentes em faixas de pedestres. Segundo Kim Jong-hoon, do Instituto de Engenharia Civil e Tecnologia de Construção da Coreia, as luzes rasteiras entraram no cardápio de prevenção justamente por causa desse crescimento. O teste começou em 2019, no distrito de Yeongdeungpo, e o modelo foi mantido e ampliado.

A ideia nasceu num ponto de bonde alemão

A Coreia do Sul adotou a solução, mas não a inventou. A primeira instalação documentada é de abril de 2016, na cidade alemã de Augsburg, na Baviera.

A operadora municipal de serviços embutiu 16 luzes de LED vermelhas no piso de dois pontos de bonde. Cada uma tem aproximadamente o tamanho de um porta-copos, e elas piscam quando o veículo se aproxima.

O motivo foi concreto. Dois pedestres haviam sido atingidos por veículos elétricos silenciosos enquanto olhavam para o celular. Um funcionário da operadora resumiu o raciocínio à imprensa local: o semáforo convencional deixou de estar no campo de visão de boa parte das pessoas.

Colônia adotou a mesma solução em seguida. O tom era de experimento, não de política definitiva.

A palavra que descreve o público-alvo também é alemã. “Smombie” junta smartphone e zumbi, e entrou no vocabulário do país como gíria jovem em 2015.

Um em cada seis pedestres olha a tela ao atravessar

O tamanho do problema aparece em um levantamento da DEKRA, empresa alemã de inspeção veicular. A pesquisa observou 14 mil pedestres em Amsterdã, Berlim, Bruxelas, Paris, Roma e Estocolmo.

O resultado: cerca de 17% usavam o celular ao atravessar a rua. Entre pessoas de 25 a 35 anos, a proporção chegava perto de um quarto.

A solução se espalhou a partir daí. Em 2017, o município holandês de Bodegraven-Reeuwijk instalou tiras luminosas no asfalto perto de escolas, num projeto batizado de “+Lichtlijn”, executado por uma empresa local de sistemas de tráfego.

A América Latina também entrou na lista naquele mesmo ano, com instalações em Rosário e em Buenos Aires, na Argentina.

A China preferiu outro caminho e chegou a demarcar uma faixa de calçada exclusiva para quem anda usando o celular, em Chongqing.

A crítica: a cidade se adapta ao distraído

Nem todo mundo aplaude. A objeção mais repetida é que a solução premia o comportamento errado, em vez de corrigi-lo, e transfere para a infraestrutura urbana um problema que é de atenção.

Há também dúvida sobre a eficácia. Em Augsburg, moradores entrevistados na época dividiram opiniões, e houve quem admitisse não ter percebido as luzes novas.

A Coreia do Sul apostou em mais de uma frente ao mesmo tempo. Além das luzes, o país passou a testar em 2019 um sistema que envia notificação ao celular do pedestre quando ele se aproxima de uma travessia, e planejou instalar equipamentos que emitem alerta sonoro em faixas.

No Brasil não há registro de instalação semelhante em via pública, e o Código de Trânsito Brasileiro sequer menciona o uso de celular entre as condutas proibidas ao pedestre.

Sobra a medida individual, e há um número no seu aparelho que ajuda a dimensionar o hábito. No iPhone, vá em Ajustes, Tempo de Uso e procure a linha de ativações, que conta quantas vezes por dia você pega o telefone. No Android, o mesmo dado aparece no Bem-Estar Digital, como número de desbloqueios.

A média costuma passar de cem vezes ao dia. Não é preciso zerar essa conta — basta que nenhuma delas aconteça entre o meio-fio e o outro lado da rua.

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