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O aplicativo de encontros gay Grindr está sendo processado na Noruega por compartilhar informações de seus usuários ilegalmente. A agência governamental de proteção de dados do país (Datatilsynet) acionou a justiça no começo de janeiro e, caso ganhe, multará a empresa responsável pelo app em US$ 11,7 milhões, o que fica em torno 63,3 milhões de reais.

A Datatilsynet moveu a ação contra o Grindr após o aplicativo compartilhar dados pessoais de alguns usuários com seus anunciantes. Um dos favorecidos com essas informações foi o MoPub, grupo de publicidade para smartphones do Twitter. Segundo a agência norueguesa, esses dados podem expor a orientação sexual dos usuários sem seu consentimento. Isso pode gerar problemas de cunho lgbtfóbico em diversos níveis. Em alguns países lgbtfóbicos, onde o app já foi até censurado, isso pode ser um grande problema.

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Em entrevista para o site The Verge, Bil Shifton (vice-presidente de negócios e assuntos legais do Grindr) comentou que “[a empresa] está sempre melhorando suas práticas de privacidade em relação às leis de proteção de dados, além disso está buscando um diálogo produtivo com a Agência Norueguesa de Proteção de Dados (Datatilsynet)”.

App enrolado

Essa não é a primeira vez que o Grindr erra feio com a proteção às informações dos seus usuários. Em abril de 2018, o aplicativo acabou expondo para anunciantes a situação sorológica para HIV/Aids de alguns usuários, bem como seu status de tratamento ou, ainda, se uma pessoa soronegativa fazia uso do método PrEP.

Além disso, em outubro do ano passado, foi descoberto que a página de recuperação de senha no site do Grinder tinha um erro crucial. Conhecendo o email de algum usuário, era possível resetar sua senha e acessar sua conta sem permissão.

Ao compartilhar informações pessoais dos usuários e expor sua orientação sexual sem consentimento, o Grindr está realizando uma prática chamada “tirar [o outro] do armário”. Essa prática lgbtfóbica pode acarretar riscos materiais, físicos e psicológicos às vítimas. Isso porque ao ser descoberta, a pessoa LGBTQIA+ pode ser expulsa de casa, sofrer violência familiar e até ser demitida. Essa matéria da BBC, por exemplo, mostra um mapa dos EUA onde essas agressões podem ocorrer.

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Em casos mais extremos, esse tipo de exposição pode causar até a morte. Afinal, lgbtfobia é um aspecto cultural aceito popularmente em diversos países, alguns deles com respaldo na lei. Esse outro mapa, produzido pelo jornal El País, mostra regiões em que ser LGBTQIA+ é perigoso ou até punido por lei.

Via The Verge

Imagem de destaque: Photographer/iStock