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No que deve mais uma definição da palavra “ironia”, a Apple é alvo de um processo judicial movido contra ela pela empresa especializada em jailbreaking, a Cydia. Se o nome lhe soa familiar, então provavelmente você já entendeu o motivo de dita ironia.

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A Cydia tornou-se conhecida em meados de 2008, logo após a Apple lançar o primeiro iPhone, como a empresa que lançou uma loja de aplicativos (“app store”) antes mesmo da própria fabricante do smartphone. Fundada por Jay Freeman (mais conhecido pelo seu apelido online “Saurik”), a Cydia foi a primeira proponente do “jailbreaking” – basicamente, a ação de “destravar” o iPhone para que este possa receber instalações de aplicativos de fontes não oficiais.

Cydia empresa especializada em jailbreaking de dispositivos iOS

Logomarca da Cydia, que tornou-se conhecida como o primeiro repositório de apps não oficiais para iOS (Imagem: Divulgação/Cydia)

Desnecessário dizer, a Cydia tornou-se o ambiente preferencial para quem quisesse rodar versões pirateadas de apps presentes na App Store oficial. Hoje, ela não detém a mesma popularidade, já que métodos de destravamento mais estáveis e funcionais nasceram desde então.

A revolta dos “piratas”

Segundo a documentação do processo, movido contra a Apple em uma corte federal do norte da Califórnia, EUA, a Cydia alega que a empresa de Cupertino usou de práticas “anticompetitivas” para “controlar a distribuição de aplicações” para o sistema operacional iOS, onde o iPhone sempre rodou:

“Se não fosse pelas aquisições anticompetitivas da Apple e a manutenção de um monopólio ilegal sobre a distribuição de apps no iOS, hoje, os usuários seriam capazes de escolher onde e como localizar e obter seus apps para o sistema operacional, e desenvolvedores poderiam usar o seu distribuidor favorito de apps”, diz parte da documentação.

Jay "Saurik" Freeman, fundador da Cydia e político norte-americano

Jay Freeman, fundador da Cydia, hoje é um político norte-americano e trabalha com a OrchidProtocol, uma VPN focada em privacidade (Imagem: Saurik/Twitter)

A Cydia ainda argumenta que a compra de um iPhone confere ao usuário o direito de propriedade sobre todos os aspectos do aparelho, incluindo a escolha de distribuição de aplicativos: “Moralmente falando, é seu smartphone e você deveria ser capaz de fazer o que quiser com ele”, comentou Freeman. “Você é quem deveria decidir quais aplicações usar, ou de onde você as obtém”.

A firma de direito que está trabalhando com a Cydia no processo é a Quinn Emanuel Urquhart and Sullivan, a mesma que representou a Samsung em outras brigas judiciais contra a Apple.

A Apple respondeu às alegações por meio de seu porta-voz Fred Sainz. Segundo ele, a empresa vai revisar o conteúdo do processo, mas já tratou de negar que a companhia use práticas de monopólio.

A situação aumenta o volume de empresas que se encontram em batalhas contra a Apple na justiça americana: em agosto deste ano, a Epic Games viu um de seus principais produtos – o jogo “Fortnite” – ser banido da App Store por contornar uma tarifa de comissão que a Apple cobra de desenvolvedores em cima do faturamento dos seus aplicativos. A Epic moveu um processo contra a “Maçã”, usando os mesmos argumentos posicionados pela Cydia.

Fonte: Washington Post, via 9to5Mac